Na porta do Hospital de Base, um ambiente repleto de angústia e expectativa, Davi Roque parecia lutar contra uma avalanche de emoções. A dor era palpável em suas palavras, enquanto ele relatava o estado de saúde de sua esposa, Oscelina Moura Neves de Oliveira, de 45 anos. A cena era de cortar o coração; um homem desesperado, com os olhos cansados e vermelhos, tentando entender como uma manhã comum se transformou em um pesadelo.
Oscelina, que trabalhava como empregada doméstica na casa do delegado Mikhail Rocha e Menezes, foi uma das vítimas de um ato de violência insano. Davi contou que sua esposa foi alvejada pelas costas em um ataque que parecia estar longe de ser compreensível. “Uma das balas estourou o rim dela, não presta mais. A verdade é essa”, desabafou ele. O eco da tristeza em sua voz enquanto detalhava que a bala a feriu gravemente também no intestino e no estômago, evidenciava a gravidade da situação.
“Estamos todos surpresos com o que aconteceu. O tratamento dele com a minha esposa sempre foi muito bom”, dizia Davi, nervoso e confuso. Como um homem numa montanha-russa de sentimentos, ele tentava encontrar respostas para a loucura que tomou conta de um dia que deveria ser simples. As palavras soavam quase como um lamento, um pedido por justiça e compreensão.
O delegado, agora em meio ao horror que causou, teria agido por motivos que só ele compreendia, talvez guiado por um delírio, uma confusão de sua própria mente. Segundo Davi, “Na mente dele, algo ou alguém estava se aproximando do filho dele, mas era coisa da cabeça dele, imagino que devido ao trabalho”. Um dia em que confiar em um superior se tornou um ato de desesperada busca por sobrevivência.
A violência não parou por aí. O delegado também atirou em sua própria esposa, Andréa Rodrigues Machado e Menezes, de 40 anos, e em Priscilla Pessôa Rodrigues, uma enfermeira de 45 anos que apenas buscava fazer seu trabalho no Hospital Brasília, onde Mikhail exigiu atendimento para seu filho, que estava apresentando vômitos. A cena de um pai com uma arma pontuava a intensidade do desespero e a fragilidade da saúde mental que o cercava.
As horas seguintes foram um turbilhão: os gritos de socorro, as sirenes, a batalha para tentar salvar vidas em meio ao caos. Oscelina e Andréa foram levadas de emergência ao Hospital de Base e, enquanto Andréa lutava pela vida após sofrer vários disparos, Priscilla passava por cirurgia—sua condição, ainda incerta, com fragmentos de bala ameaçando sua coluna.
Naquele dia, o que deveria conectar as pessoas—o trabalho, a família—se transformou em um campo de horror e dor. É um lembrete cruel de como a linha entre a ordem e o caos pode ser tênue, e como a saúde mental, muitas vezes ignorada, é uma questão que pode desencadear tragédias imensuráveis. Davi, angustiado, tentava permanecer forte, mas a carga emocional de ser marido de uma vítima em estado grave é uma que aflige e transforma a vida de qualquer um em segundos.
Neste turbilhão de emoções e acontecimentos, a resiliência e a luta pela justiça ecoam no ar, lembrando a todos a importância de cuidar da saúde mental e, acima de tudo, da necessidade de construir um mundo mais seguro e humano.