O Brasil retornou à lista das 20 nações com a maior defasagem na imunização infantil, ocupando a 17ª posição em 2024, com 229 mil crianças não vacinadas. Os dados, divulgados em um levantamento conjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), indicam uma piora no cenário em comparação a 2023, quando o país havia saído do ranking com 103 mil crianças não vacinadas. O relatório destaca que o Brasil é o único país da América do Sul a integrar essa lista. A pesquisa utilizou como referência a primeira dose da vacina DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche.
Globalmente, o estudo revela que mais de 14 milhões de crianças não receberam nenhuma dose da vacina, ficando vulneráveis a doenças preveníveis. A cobertura mundial com as três doses do imunizante está em 85%. Além disso, nenhuma das 17 vacinas monitoradas no último ano atingiu a meta de 90% de cobertura. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, alertou que pequenas quedas na cobertura vacinal podem aumentar drasticamente o risco de surtos e sobrecarregar os sistemas de saúde. Ele ressaltou que cortes em investimentos e a desinformação sobre a segurança dos imunizantes são ameaças que podem reverter décadas de avanços na saúde pública.